“Muitas vezes eu não estou na fluidez.
Eu vejo isso, sinto, mas não consigo mudar.
Algumas vezes durante o satsang, mesmo quando os nossos olhos se encontram, eu não consigo conectar com você.
Outras vezes, repentinamente eu fico inundado de você e você nem está fisicamente presente – que mistério.
Você diz que nós temos uma escolha – se isso é verdade, a única escolha é aceitar tudo exatamente como é, confiar que a vida está se abrindo em perfeição, mesmo quando não posso enxergar.
Mas eu sinto que mesmo essa escolha é um acontecimento, um presente – não é a minha escolha.
E então, o que permanece é simplesmente gratidão.”

“Você diz que nós temos uma escolha.”

Eu digo muitas coisas, mas como todas as pessoas boas, eu contradigo a mim mesmo - assim � a vida. Eu digo que voc� tem que fazer uma escolha apenas no in�cio. Quem faz a escolha? A personalidade, o ego.

É muito melhor ser um ego feliz do que ser um ego miserável. Quando você começa a viver sua vida um pouco mais livremente, um pouco mais feliz, com um pouco mais de coragem – torna-se muito mais fácil tomar riscos. O risco definitivo é largar todas as escolhas, e isso é compreender.

“Você diz que nós temos uma escolha.”

Talvez eu digo isso, mas nós não temos escolha. Porém, isso vem depois que você toma conhecimento sobre o fluir, depois de você saber que a vida é um presente, quando você conhece a entrega, quando você conhece a gratidão – vem depois que você sabe como é estar livre do seu ego. Então não há escolha, porque apenas “alguém” pode ter uma escolha.

É muito difícil falar sobre isso por causa da velha armadilha; quando eu digo que não há escolha, você não sente necessidade de fazer nada. Para a maioria das pessoas isso se encaixa perfeitamente, então elas continuam vivendo tão estupidamente como sempre estiveram, apenas confiando em Deus...

Primeiro você tem que sair da lama, você tem que limpar a si mesmo. Quando começa a acontecer, quando você está limpo, silencioso, e Deus o visita – então você pode relaxar. Isso é meditação, isso é aceitação, isso é entrega – então não há escolha. Ainda assim, Osho, a partir da sua profunda compreensão sobre o homem moderno, diz que há uma escolha.

Primeiro você tem que tomar responsabilidade – você tem que iniciar onde estiver. Então vem o tempo onde não existe responsabilidade, não existe escolha – porque não existe você! Mas antes desse tempo, apenas de novo e de novo, esteja aberto, sinta-se grato, sinta o mistério. Então a única escolha é aceitar tudo exatamente como é.

Porém, tudo pode ser mal entendido.

Esse é um entendimento certo. Mas aceitar tudo exatamente como é, quando você está na lama, é apenas uma desistência. E você entende, você sabe, porque você esteve lá.

O tempo certo de largar todo o fazer é quando tudo é um presente – e de qualquer forma, o fazer cai por ele mesmo.

Não há escolha, de verdade, porque tudo acontece como deveria acontecer.

Quando você chega nesse ponto – quando a compreensão está acontecendo – você vê que não há escolha e você apenas relaxa. Isso só vem a partir da compreensão. Tem que ser uma aceitação feliz, uma entrega feliz, que a mente não consegue compreender.

“Não é minha escolha.”

Não é, e nunca foi a sua escolha. Mas enquanto você estiver identificado com “meu”, “minha” e “eu”, é claro que existe uma escolha.

Então apenas relaxe, seja feliz, sinta como um presente, deixe a compreensão ir mais fundo.

Não há nada a fazer, apenas viver o mistério.